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Ontem, depois que coloquei quirera no quintal para os pássaros que o freqüentam, percebi depois de algum tempo que as rolinhas não são nada cordiais.
Em determinados momentos eu ouvia pios lamentosos no quintal. Parei as atividades para ver. Uma única rolinha que comia o milho bicava sem dó e sem piedade dois filhotes de pardal que a mãe fazia de tudo para aliimentá-los.
Aquilo me indignou muito. Mais, por incrível que pareça, por ver que dona Pardoca nada fazia para defender os filhotes. Continuava alimentando-os insistentemente. Sua única preocupação era se livrar das bicadas da rolinha e pegar os grãos para alimentar os filhotes.
"Por que será que ela não ataca a rolinha?", perguntei a mim mesmo. Decerto porque a rolinha é muito maior que ela. Mas será que por causa disso ela não reage ao ver o filhote levando bicadas mortais de um ser muito maior que ele? Eu digo mortais porque se a rolinha certa o olho do pardalzinho ele não resiste.
A rolinha, se você não sabe, tem um bico tão comprido e fino que não sei pra que foi feito. Será que para atacar os adversários? Mas quem são os adversários dela? Os gatos a pegam com facilidade. Isto é, quando eles conseguemm chegar perto, poroque ela voa com a rapidez de um raio (exagero?).
Entretanto, a rolinha não ataca ave maior que ela. Pelo que percebo, somente a outra rolinha, na hora de brigar pelo alimento. Ao que parece, cada rolinha quer tudo só pra ela, por isso fica brigando insistentemente com as outras. Assim, tão burras, mais brigam que comem.
Enfim, indignado, ao ver a cena, pensei expulsar a rolinha. Mas não conseguiria, porque expulsaria também os pardais e, nesta época do ano, eles estão de filhotes. Se os filhotes não alimentarem, no próximo ano estará reduzido a comunidade de pardais.
Não sei não, mas acho que alimentá-los, já que invadimos o espaço deles ( por isso não conseguem ficar longe dos homens), é uma pequena contribuição que faço.
A única saída que encontrei foi colocar quirera em mais dois lugares. Não sei se com isso resolveria o problema da briga, mas livrei minha consciência de presenciar um crime tão bárbaro contra os pequenos, na natureza tão perto de mim.
Abraços,

criado por José Guimarães
09:11:50