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O Sr. Alberto, Dona Neusa e Lucas foram à rodoviária buscar os avôs do menino, que chegariam de viagem.
Havia um circo ao lado da rodoviária.
Entraram na lanchonete, de onde Lucas via os animais do circo. Quis ir até perto vê-los. A mãe e a avó o acompanharam e se juntaram às pessoas no alambrado.
As crianças falavam dos hábitos dos animais. Do que eles comiam, como dormiam... Lucas só pensava em libertá-los.
Ninguém via o alienígena, mas ele também estava lá, invisível.
Os animais pareciam indiferentes a tudo. Os elefantes abanavam as orelhas e o rabo, numa tentativa inútil de afastar os insetos. De vez em quando erguiam a tromba e faziam as crianças rir. Os camelos mastigavam sem parar. Os cavalos imóveis... Somente um macaco circulava de um lado a outro, às vezes fazendo gracinhas, e as pessoas riam.
"Por que vocês não saem daí? Saiam já daí, anda!", dizia Lucas bem baixinho.
De repente os animais fizeram um barulho enorme. Os homens do circo correram para ver. Os cavalos pulavam e rinchavam, os cachorros latiam, os gatos miavam... Os maiores romperam a corrente que os prendiam e abriram um buraco na cerca. Foram embora.
Os homens do circo correram para pegá-los, mas não conseguiram, porque estavam enfurecidos. As mulheres, apavoradas, gritavam.
Na disparada dos elefantes a cobertura de lona onde eles ficavam despencou e parte da lona do circo rasgou. As pessoas correram para a rodoviária. Os carros paravam e buzinavam. Uma gritaria surgiu. A Polícia Militar veio e acalmou o povo.
- Que coisa horrível, meu Deus! - disse dona Neusa. - Nunca vi nada igual.
- Nem eu - disse Dona Marta. Só que se lembrou do que tinha acontecido no sítio dias antes e ficou imaginando se um caso com outro não tinha ligação. (Lucas tinha soltado os animais do sítio, pois não admitia vê-los presos.)
As pessoas gritavam apavoradas e corriam. Corriam e gritavam.
Um leão perseguiu um rapaz que passava de bicicleta transportando carne. As pessoas gritavam para o rapaz fugir. Ao ver o leão ele pulou da bicicleta e se escondeu atrás de umas caixas que um carregador empilhava. Este também ficou apavorado, embolaram-se os dois, um segurando o outro.
Os soldados se aprovimaram do leão e ergueram as armas. Lucas se colocou entre o leão e eles, abriu os braços e gritou:
- Não atirem nele!
Nisso os homens do circo vieram depressa e colocaram o leão na jaula.
- Viva! Bravo! - O povo aplaudiu como nunca, já querendo fazer de Lucas um herói.
Esse texto é parte do capítulo Cinco do livro Mokolóton.
Se quiser saber mais sobre o livro, é só clicar na capa abaixo:
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Abraços!

criado por José Guimarães
06:40:25