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- Ti! Ti! Ti! Ti! - Dona Marta chamou as galinhas.
Vieram todas, atropelando-se umas nas outras. Aproximou-se de um frangão. Ele nem desconfiou. Ela o pegou. Ele esperneou, sem chance de escapar. Torceu o pescoço dele e o largou.
- Por que fez isso, mãe? - Lucas perguntou.
Sem entender o motivo da pergunta, não respondeu nada e entrou na cozinha.
"Não vou deixar que ele morra, não vou deixar...", pensava Lucas. Então fechou os olhos e pediu ao frango que não morresse. "Não morra! Não morra! Não morra!...", repetia mentalmente. Abriu os olhos, achando que ele estivesse morto, porém se surpreendeu. O frango tinha parado de se debater. Ergueu a cabeça e se levantou. Depois sacudiu o corpo, livrou-se da terra que grudou nas penas, e correu para perto dos outros, são e salvo.
- Eeeeeeehhhhhh!... - Lucas aplaudiu muito, eufórico, de contentamento.
Mokolóton riu. Era-lhe gratificante ver o menino feliz. Nesse momento os animais fizeram um barulho enorme. Bug tinha visto o extraterrestre, numa hora em que Mokolóton apareceu de propósito a ele e lhe fez careta, por isso latia muito. Olhava na direção de Lucas, como a lhe dizer: "Sai daí! Ele está perto de você." Mokolóton estava perto de Lucas, invisível.
Assustada com a barulheira toda, Dona Marta veio ver o que era. Ficou horrorizada com o que via. Correu para perto do filho. Lucas não estava nem aí, apenas sorria.
As aves fizeram um círculo enorme no chão e puseram o frango que soreviveu dentro dele, e rodaram, rodaram, rodaram arrancando poeira como se quisessem cavar um buraco no chão e entrar nele. Depois voaram bem alto e fizeram acrobacias no ar, pousando uma após outra, numa leveza de plumas que caem ao chão.
Dona Marta deu uma sacudida em Lucas e depois perguntou:
- Como você fez isso?! Com que poder você fez isso?
- Eu fiz isso o que, mãe?! Eu não fiz nada, não!
- Ora, meu filho, o frango era pra estar morto numa hora desta, não está. Vim pra buscar ele e o que encontro? Uma festança doida de ave no quintal. Afinal, o que está acontecendo aqui, Meu Deus?
- Não tá acontecendo nada não, mãe - disse Lucas muito tranqüilo. - Pra mim tá tudo normal.
- Pois pra mim não está! Afinal, o que você fez com o frango?
- Bem, se a senhora quer saber, tudo que fiz foi ficar aqui olhando.
- Olhando? Você jura que não fez nada, nadinha?
- Nadinha. A senhora agora acha que eu sou o quê? Um bruxo? Não sou nenhum bruxo não, mãe. Apenas fiquei com dó do frango. Só isso. Então pedi pra ele não morrer, é sim, pedi bem baixinho.
- É mesmo?
- É sim. A senhora quer quer eu conto como foi?
- Quero.
Trecho do livro:

criado por José Guimarães
16:28:53