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Arquivo de: Novembro 2006, 20

20.11.06

Mokolóton

categorias: Livros Infantis

A Chegada de Mokolóton

Foi numa manhã de verão que Mokolóton chegou. Pousou sua espaçonave perto de uma montanha. Deu uma olhada em volta, procurando um lugar onde pudesse esconder a nave. Avistou uma caverna. Foi até ela e examinou-a. A caverna, além de espaçosa, não tinha morcegos nem vestígio de outro animal que pudesse incomodá-lo. "Este local serve para meu esconderijo", pensou. Todavia, havia um ali problema: a entrada era estreita e a nave não passaria por ela. Precisava, portanto, de alargamento.
Saiu da caverna. Mirou o pedaço de terra que precisava remover. Deslocou-se da montanha enorme bloco de pedra, sem fazer barulho. Olhou para a nave. Esta se ergueu no ar até mais ou menos a altura de seus olhos. Ele girou lentamente a cabeça. A nave, acompanhando o movimento de seus olhos, fez um trajeto circular, entrou na caverna e pousou sem barulho. Colocou o torrão de volta no lugar e, num salto gigante, escalou a montanha. Lá em cima, enterrou um objeto redondo, talvez fosse uma antena. Depois sentou-se no chão. Tirou do bolso um objeto parecido a um binóculo e com ele avistou umas casinhas lá longe. "Deve ser onde moram os habitantes", pensou. Os morros, encobertos pela neblina, pareciam enegrecidos. Os pássaros cantavam alegres, anunciando o amanhecer. "Lugar magnífico, verdejante", pensou. "Mas como serão os habitantes deste planeta?"

Louco por matar sua curiosidade, desceu da montanha. Entrou na nave, tirou umas peças de um compartimento e com elas montou um pequeno robô. Como se tivesse derpertado de um sono profundo, o robô abriu os olhos molemente e o cumprimentou:

- Bom dia, Príncipe? Posso saber onde estamos?

- Bom dia, Doge. Estamos no planeta Terra.

- No planeta Terra? Uuh! Então, viajamos muito?

- Sim, fizemos uma viagem extra-solar.

- É incrível! Você não precisou de ajuda? Como é o planeta Terra?

- Não precisei. O planeta é muito bonito. As árvores são verdes. A água é cristalina. Só tem um sol e uma lua.

- Só tem um sol e uma lua?! As árvores são verdes?! Então este planeta deve ser maravilhoso, Príncipe! Será que as pessoas projetam sombra quando andam?

- Com certeza, sim, porque só um lado delas é iluminado pelo sol. E decerto quando ele está no meio do mundo a sombra delas se concentra no pé.

- Interessante. Será que o planeta Terra tem crianças também?

- Se for habitado como imagino, tem.

- Fantástico! Será que eu posso brincar com elas?

Mokolóton sorriu. "Esse aí também só pensa em brincar", pensou. "É no que dá um robô com alma infantil."

Doge apertou o botão de um aparelho que devia ser monitor de computador, pois mostrava imagens na tela, e uma porta se abriu; dentro era forno microondas. Pôs aí uma embalagem contendo comida. Logo uma voz avisou que estava pronta. Doge pegou-a e entregou para Mokolóton. Este o agradeceu e saiu da caverna.

Sentou-se no chão com as costas encostadas numa pedra e fez sua primeira refeição no planeta Terra. Em seguida abriu um pacotinho de grãos parecidos a amemdoim e os comeu lentamente. Notou que os pássaros comiam as casquinhas que caíam ao chão e não se importavam com sua presença. Esmagou alguns grãos na mão e os jogou para eles. Os pássaros voaram todos. Mas logo voltaram e comeram tudo, rapidamente. Como se tivesse o corpo elástico, ele encompridou o braço e pegou um pássaro. Desesperado, este bicou sua mão seguidamente, mas ele não o soltou. Ao contrário, alisou-o suavemente. O pássaro ficou calmo e dormiu. Abriu a mão em seguida e o pássaro acordou. Depois bateu as asas e voou.

Mokolóton se levantou. "Hora de conhecer o planeta", disse a si próprio. Entrou na nave, pôs uns objetos numa mochila, esta no ombro e disse ao robô:

- Vou conhecer o planeta. Enquanto isso você fica aqui vigiando a nave.

- Doge fica vigiando a nave - repetiu o robô.

- Muito bem. Qualquer contratempo, me asive.

- Qualquer contratempo, Doge avisa.

- Perfeito. Pode sair da caverna, se quiser, mas não ir longe.

- Doge não pode ir longe.

- Bom menino. Pode jogar contra o computador, sem brigar com ele.

- Doge não briga com computador.

- O extraterrestre riu. Além de brigar com o computador, Doge ainda pulava e falava sozinho.

Mokolóton andou algum tempo numa só direção. No caminho encontrou uma cobra. Curioso de examinar o animal rastejante, ergueu-o do chão, quando levou uma picada, mas não se importou. Largou a cobra no chão e seguiu caminho.

Adiante encontrou um tamanduá-bandeira. Este veio rapidamente ao seu encontro e, sem dó nem piedade, cravou nele as unhas afiadas, deixando-o ferido e... decepcionado. Entretanto, sem se zangar, desgrudou o indelicado animal do corpo e se afastou. Olhou para trás, o tamanduá golpeava o ar, furioso, como se o desafiasse para mais uma briga.

Enquanto isso, lá na caverna, Doge recebia uma visita nada ilustre. Um cachorro-do-mato que se aproximou e rosnou, ameaçador.

- Não adianta me atacar - Doge foi logo avisando. - Porque não sou feito de carne como você. Se me morder, vai quebrar os dentes. Mas o cachorro-do-mato não estava nem aí, continuou rosnando.

- Sou feito de material ultra-resistente - Doge avisou. Mas adiantava?

Nisso surgiu um lobo-guará. Ele enfrentou o cachorro-do-mato e este fugiu. O guará abanou o rabo e lambeu a mão de Doge, mas deve ter tido uma decepção muito grande, porque fez cara feia de quem não gostou. Doge pôs a mão na cabeça dele, aí é que as coisas pioraram mais ainda. Ao toque da mão fria do robô, o guará sentiu algo estranho, mas não foi embora.

- Como é seu nome? - Doge perguntou.

- Au! - o guará latiu.

- Prazer em te conhecer, Au - disse Doge. - Não sou como você - explicou. - Sou feito de metal. - Deu umas pancadinhas no corpo para que o guará ouvisse o barulho. - Entendeu agora?

O guará até parecia que sim, porque abanou o rabo e sorriu. Bem, de um jeito ou de outro, instantes depois já estavam amigos. Doge o convidou para entrar na nave. Ele aceitou. No caminho Doge ia explicando o funcionamento, a velocidade...
O guará entrou desconfiado, olhando tudo muito curioso, sorrindo e ficando sério. Quando o clarão clarão de um flash inundou a nave, ele saltou.

- Calma! - disse Doge. - É sua identificação. Todos os que entram aqui são identificados. Sua imagem vai ficar gravada aqui e você vai ser visto lá em Mokon. Vai ficar famoso. De novo o guará abanou o rabo e sorriu, enquanto cheirava algo num compartimento. Doge lhe ofereceu comida. Ele olhou, cheirou, recusou.

- Você não quer? - Doge perguntou. - Você se alimenta do quê?

Se ele falasse, diria que só come carne. Doge decerto ficaria admirado, porque em Mokon a maioria do povo é vegetariana.

- Eu me alimento de energia nuclear - disse Doge. - Basta encostar os olhos aqui para receber a carga...

E aí? Como será que o extraterrestre sairá dessa aventura?

E o robô?

Se quiser saber mais sobre o livro, cliqiue na capa abaixo:

mokoloton@terra.com.br