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Através do computador...
...eu vejo o mundo. Fico sabendo das notícias publicadas nos jornais mais importantes, mais lidos e nos menos lidos também. Porque sou curioso e gosto de ficar sabendo de tudo o que acontece por aí.
...consigo mostrar este texto que escrevi agorinha a você. Até saber se lhe agradou ou não, porque você pode clicar em “comentar” e me dar sua opinião. Incrível, não só eu lerei sua opinião, como outras pessoas também a lerão. E ficarão propensas a colocar a opinião delas também. Se sua for favorável ao assunto, muitas pessoas o apoiarão. Se for desfavorável, muitas pessoas o apoiarão também. É claro que algumas o criticarão, tanto numa situação como na noutra.
E eu ficarei emocionadíssimo! Por ver que muitos se interessaram pelo que escrevi.
Tudo isso porque, através do computador...
...consegui mostrar este texto a você. Me comunicar com você. Mesmo não sabendo como você é, muito menos onde você está. Certamente se soubesse, e se você viesse aqui em casa, conversaríamos e você não se interessaria em ler o texto, porque o acharia antiquado demais, sem graça demais. Mas no computador... Como diria o Henfil: “Deu no New York Times”.
Incrível, imaginar que você possa estar aqui bem perto de casa. Ser aquele vizinho (ou vizinha) que passa por mim e não cumprimenta. Ou aquele(a) que fica na janela o tempo todo olhando as pessoas que passam e a gente o(a) cumprimenta e não responde.
Enfim, através do computador...
...posso imaginar as contrações de seu rosto ao ler este texto. Seu ah!, de indignação. Sua pressa em sair logo da página porque descobriu que não é o assunto que te interessa, que estava procurando ou então, tchan, tchan! Gostar e ficar um pouquinho mais e até esquecer o que estava procurando e ficar mais um pouco e clicar noutro assunto e comentar se gostou ou não.
Isso não é maravilhoso? Claro que é. Se bem que:
Infelizmente, também através do computador...
...não posso saber como se chama o vizinho de duas ou três casas diante da minha, tanto da direita como da esquerda. Se o filho dele está indo bem na escola. Se o cachorro que eu ouvia latir todos os dias e agora não late mais sofreu algum acidente e morreu.
...não posso saber o que aconteceu ontem à noite na pracinha perto de casa, porque uns rapazes mal-encarados costumam fumar maconha lá e eu não gosto nada disso. Ninguém gosta, aliás, mas finge que não vê. Não gosto de vê-los se destruindo. Mas, se falar com eles, não me ouvirão. Dirão que não tenho nada com isso.
- Fica aí na sua, cara, porque ninguém tá precisando de sua opinião.
É sim.
- A gente tá fumando um baseado aqui. Não pegou na tua casa nem te assaltou pra pegar o dinheiro.
- Sim, eu sei, mas...
- Fique lá na tua casa mesmo, assistindo novela na TV. Quem sabe você acha o que fazer lá.
- Sim, quem sabe.
É isso aí!
Através do computador, escrevi esta besteira aqui. E através do computador, você a lerá (ou não).
Um abraço.

criado por José Guimarães
12:59:04Um enorme peixe pulou da água e caiu bem perto de um jovem pescador.
O pescador, que não tinha pescado nada ainda, mais que depressa pulou sobre o peixe e enterrou nele uma faca, na lateral, onde fica a guelra, forçando para que entrasse mais fundo.
O peixe se debateu.
“Você me veio de graça”, disse o pescador a si próprio. “E deve valer uma nota.”
Virou o peixe de lado para poder abrir a barriga dele. O peixe se contorceu de dor e gritou:
- Não me mate! Não me mate! Eu sou seu irmão!
- Meu Deus!
Mas já era tarde.
De fato, o irmão gêmeo do pescador havia desaparecido havia muito tempo e, apesar de a família o procurar por todos os meios de comunicação que existia na época, jamais o localizara.
O pescador arrepiou-se.
Largou o peixe. Este se contorceu. Bateu as nadadeiras e o rabo desesperadamente no chão, depois explicou ao irmão:
- Você se lembra que a gente brincava na baía quando éramos pequenos?
- Eu me lembro sim.
- Então, um dia eu fui lá sozinho e encontrei o espírito do mar, que me transformou em peixe. E desde então parei de falar e de pensar como gente.
- Nossa, mano, procuramos vocês em toda parte. Você não pode morrer agora.
- Espera, deixa-me continuar a história...
O pescador se derretia em lágrimas. Chorava tanto que nem conseguia prestar atenção ao que o irmão falava.
O que você acha desta história? Acha que devo continuá-la ou deletá-la?
No caso de continuar, que fim você acha que ela deveria ter?

criado por José Guimarães
08:58:10