DIÁRIO DE UM ESCRITOR

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Terra Blog

Arquivo de: Outubro 2006

31.10.06

Não é uma tristeza?

categorias: Cotidiano

Por que a criança se diverte hoje em dia com o sofrimento dos outros?

Por que só vê programas que estimulam a violência.

É incrível como sempre quando ouço crianças conversarem, ouço histórias terríveis até demais para a idade que elas têm.

Hoje mesmo, pela manhã, quando descia a rua de minha casa, dois meninos de mais ou menos sete anos conversavam animadamente.

Um deles falava para o outro:

- Aí, meu, ele deu um soco - não sei de quem ele falava nem em quem o outro deu um soco - e mostrou como o soco foi dado nas costas do interlocutor.

- É mesmo? - admirou-se o outro.

(Pelo visto, falavam de uma briga na escola.)

- É! - Aí ele desmaiou. Caiu assim de costa.

- Bem feito pra ele!

Não é uma tristeza?

mokoloton@terra.com.br

 

28.10.06

O Pintinho Amerelinho e os Patinhos Nadadores

categorias: Livros Infantis

    

      Certo dia, um pintinho amarelinho estava à procura de sua mãe. Andava desesperado pelo quintal à procura da galinha. Procurou no poleiro, não a encontrou. Perto da certa também não.

     Mamãe Pata estava à beira do lago vigiando os filhinhos. Eles brincavam alegremente na água. Ao ver o pintinho ali tão triste, Mamãe Pata lhe perguntou:

     - O que está fazendo aqui, Pintinho?

     - Procurando minha mãe. A senhora por acaso sabe onde ela está?

     - Não sei. Sinceramente, não sei.

     O pintinho olhou para o chão, pensativo.

     - Você está muito triste - disse Mamãe Pata. - Faz  tempo que sua mãe saiu?

     - Faz. Procurei no cercado e não a encontrei.

     Ele fazia um esforço muito grande para não chorar. Mas como não conseguia conter as lágrimas, chorou de verdade, comovendo Mamãe Pata, que propôs:

     - Por que não fica aqui conosco um pouco? Pelo menos até sua mãe chegar.

     - Eu quero minha mãããeee! - chorou o pintinho, comovendo ainda mais Mamãe Pata, que ficou sem saber o que dizer.

     - Olha, vem brincar com os meus filhinhos - disse Mamãe Pata. - Eles são tão pequenininhos, iguaizinhos a você.

     O pintinho já ia dizer que não, mas ao ver a alegria dos patinhos na água, mais que depressa se animou.

     - Oba! Eu quero nadar! Quero brincar com eles!

Quer copiar o livro? Então clique na capa.

Fique com deus. Um abraço.

José Guimarães, Pouso Alegre-MG

mokoloton@terra.com.br

 

27.10.06

O Lavrador e as rolinhas

categorias: Cotidiano

As rolinhas vinham todos os dias ciscar no quintal do lavrador.

Ele colocava  farelo de milho no chão e  ficava observando o comportamento delas. Notou que brigam muito umas com as outras.

"Por que elas brigam tanto", perguntou ele intrigado a si próprio, "se tem milho para todas"?

Não soube responder.

Como se não tivesse nada que fazer, continuou sua observação. Aí ficou mais intrigado ainda, porque as rolinhas, além de brigarem umas com as outras, ainda atacavam os pardais, covardemente.

Por serem maiores, têm mais força. Os pardais, bobinhos e fraquinhos, deveriam fugir delas. Mas não, parece que ficam mais próximos, decerto em busca de proteção. 

O bico comprido e fino das rolinhas o incomodam. Por que as rolinhas têm bico comprido e fino e os pardais não?

Muitas perguntas, poucas respostas.

Contudo, continuou sua observação, como um autêntico ornitólogo. Assim, certa manhã, colocou farelo em dois lugares diferentes.

Não demorou muito vieram duas rolinhas. Havia bastante farelo ali. Mas  uma expulsava a outra.

"Incrível", pensou o lavrador. "Até na natureza existe egoísmo. Coloquei farelo para todas as aves em lugares diferentes e agora aquela rolinha valentona tomou posse dele e pensa que é só dela."

Não bastando isso, viu a rolinha egoísta bicar um pardal e este dar um pio tão longo e dolorido que mais parecia um pedido de socorro. E ele (o lavrador) não podia fazer nada para ajudar a pequena vítima. 

"Isso é demais!", se irritou. "Vou castigar essa rolinha metida a valentona!"

Então pensou matar a rolinha briguenta. Assim acabava com a tirania dela.

"Mas, peraí. É assim também com os homens", pensou ele. "Deus dá para todos, mas só uns querem tomar posse. E Deus não sai por aí matando homens que não se comportam direito. Deixa que cada um viva como quer."

Concluiu que, se Deus que é Onipotente não sai por aí matando homens egoístas, muito menos ele deveria matar a rolinha.

Por outro lado, ela morreria sem saber o motivo.

Muito bem. Sua preocupação agora seria proteger os pardais.

Noutro dia ele colocou farelo bem perto dele e ficou torcendo para que os pardais o encontrassem. Assim, as rolinhas tiranas e brigonas (elas brigavam tanto umas com as outras que nem conseguiam comer direito) não atacariam os pardais. Alguns deles - as donas pardocas - com filhotes, trêmulos, necessitando ser alimentados pela mãe, se levassem uma bicada afiada no olho poderiam até morrer.

Para a felicidade dele, os pardais encontraram a ração e a comeram fartamente. Ele não precisou mais ficar intrigado com as rolinhas.

"Os pardais foram expulsas de lá", sorriu o lavrador,  "mas ganharam um quinhão ainda maior que as rolinhas briguentas e mais perto de mim" .

Depois concluiu:

"Assim deve ser  Deus para com os homens: quando uns são expulsos do paraíso por causa de ganância de outros, se em vez de alimentarem seus ódios e brigar fugirem em busca de novo paraíso, certamente o encontrarão. Bem mais perto do Criador, que os protegerá, mais que àqueles que os expulsaram de lá."

Tenha um bom dia!

José Guimarães, Pouso Alegre-MG

mokoloton@terra.com.br

26.10.06

O Velório do Boi

categorias: Contos

Minha curiosidade foi despertada logo cedo, quando passou por mim um carro que trazia escrito no vidro traseiro: VELÓRIO DO BOI e umas letrinhas mais que não consegui entender bem do que se tratava.

"O que será isso?", pensei. "Será uma brincadeira macabra?"

Mais tarde, quando conversava com Durval, motorista de táxi, no centro de Pouso Alegre, vi um Corsa estacionado na calçada contrária, contendo a mesma frase.

- Já é o segundo carro que vejo hoje que tá escrito aquilo  - disse eu, mostrando o carro para Durval. - Sabe o que significa?

Durval olhou para o carro, depois para o chão, pensou, pensou...

- Ói, s'eu te disser que não sei é porque não sei mesmo! Sei lá que significa esse troço!

No Corsa, além de VELÓRIO DO BOI, havia uma data, que aguçou ainda mais minha curiosidade, mas mesmo assim não tive ânimo de ir lá para ver.

Nisso passou outro carro, contendo a mesmíssima frase.

Como Durval, que geralmente sabe de tudo, disse que não sabia, concluí que só podia ser uma festa estudantil, dessas bem loucas. Desse assunto o Durval não entende. Ou então uma propaganda. Mas propaganda do quê? De algum produto relacionado a enterro? E que velório é esse que tem data certa para acontecer? Minha mente me levou diretinho ao "Festim Diabólico", de Alfred Hitchcock, onde um grupo de jovens... Bem, não vou contar esse filme aqui.

Entretanto, continuei conjeturando. Seria uma brincadeira tipo "Farra do Boi", em que os participantes perseguem um boi previamente escolhido até matá-lo? E, altas horas da noite, feitos canibais, degustam, ou melhor, devoram a carne ainda crua do coitado, que se mexe, porque ainda não morreu, tentando escapar?

Argh!

"Acho melhor esquecer esse assunto", pensei. Porém, mais tarde, quando nem pensava mais nisso, ao folhear um jornal local, li na coluna de eventos a palavra BARBECUE e, mais adiante:

"O boi morreu... E daí? Você vai ficar com pena dele?"

E informavam:

"O velório será no dia tal, rua tal, número tal".

"Ah, então é isso? É um convite?" E ri de mim mesmo por ter enfim esclarecido tão duvidoso assunto (duvidoso pra mim, claro, porque a rapaziada, talvez, não tivesse outro assunto).

Contudo, continuei achando que seria um festim diabólico, daqueles em que os assassinos comemoram a vitória na frente do morto. E degustam a carne dele, neste caso, do boi. Coitado do boi. Por que será que ele se fez de vítima?

Entretanto, quem iria participar de um ritual tão macabro desses? E que boi seria escolhido para esse ritual? Seria o mais valente ou o mais manso? Não sei não, talvez o mais jovem, por ter a carne tenra e saborosa. Humm, que delícia! Carne assada, né?, se você pensou em outra coisa.

Bom, como eu já estava atolado no assunto, consultei o Michaelis:

 "Barbecue 1. grelha 2. rês assada por inteiro 3. churrasco 4. churrascada 5. Bras. churrasquear.

Ah, é? Eu não sabia nada disso. Você sabia?

Adiante, a turma do boi no rolete explicava que o grupo não-sei-de-onde promoveria uma festa inédita na cidade, em que um boi de 20 arrobas seria assado inteirinho num rolete, na noite de sábado, para ser traçado no domingo. Isso mesmo, traçado. Quer dizer, devorado, ou numa linguagem mais educada: degustado. Como ou com quê? Não sei. Só sei que eu não parava de visualizar o velório. Sempre em busca de um final em que o boi levasse vantagem, em vez de a turma do rolete.

E você? Que final imaginaria?

Eu imaginei assim:

Altas horas da noite, boi de couro e tudo sobre a mesa, um dos rapazes já bastante bêbado diria que viu o boi abrir o olho e piscar para ele.

- Oooohhh!!!! - diriam.

É claro que ninguém acreditaria no rapaz. Todo mundo iria zombar dele. E o coitado ficaria danado da vida, querendo brigar.

Daí, diriam que ele estava tendo delírio - por tomar porre pela primeira vez.

Mas, antes de a risada terminar, outro adolescente diria que também viu o boi piscar o olho  para ele. Agora seriam dois.

Depois, mais outro. Três.

Os demais estudantes continuariam rindo, entortando a coluna de tanto rir.

Até que por fim o boi abriria os olhos e olhava zangado para todo mundo. Depois se levantaria e sairia correndo na direção do grupo.

Não ficaria um para ver (ou saber) o final desta história!

José Guimarães, Pouso Alegre-MG

mokoloton@terra.com.br

 

25.10.06

Keity

categorias: Livros Infantis

Desci à casa do oleiro e vi que ele estava fazendo a sua obra sobre as rodas.

Mas o vaso, que ele fazia de barro, se quebrou na minha mão; pelo que o oleiro tornou a fazer dele outro vaso, conforme lhe pareceu.

Conf. Jeremias, 18-4,5

VirtualBooks
Formato: e-book/ PDF
Código: vbokeity22124
© VirtualBooks 2001,
Idioma: português

O livro conta a história de uma cadelinha que apareceu na porta de uma casa, onde duas meninas assitiam a um desenho na televisão, numa tarde de inverno.

Resumo do Primeiro Capítulo:

1. O ruído

À tarde as meninas estavam sentadas no sofá da sala, assistindo a um desenho na televisão.
De repente Sônia se impacientou. Perguntou para Carla:
- Foi você?
- Eu o quê?
Pausa.
- Não estou fazendo nada!
- Então não foi você que uivou feito cachorro?!
- Eu não! Não sou cachorro.
Voltaram a ficar caladas. Sônia, entretanto, desconfiada observou a irmã mais nova. Esta continuava de olho na TV. Todavia, como o ruído continuava, Sônia falou:
- Foi você, sim, Carla! Eu vi!
- Você viu o quê, Sônia? Por acaso você está ficando biruta?
Calaram-se novamente. E novamente Sônia vigiou Carla. Esta não desgrudava os olhos da TV.
Sônia aguçou os ouvidos. Desta vez percebeu que o ruído que tanto a incomodava vinha da porta da rua. Mas que ruído era esse, afinal? Tentou concentrar-se na televisão, não conseguiu.
No vídeo Jerry aprontava mais uma das suas com o pobre Tom e o gato bobalhão como sempre corria feito doido atrás do rato esperto.

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Que tal pegar uma cópia grátis agora? Então clique aqui, ou na capa abaixo para fazer o download:

 

Fique com Deus e um forte abraço,

José Guimarães, Pouso Alegre-MG.

mokoloton@terra.com.br